Novo FOMO se tornou um reflexo da atual sociedade

Psicóloga explica como a síndrome se manifesta e esclarece de que forma

a quarentena intensificou a sensação de “estar de fora”

 

Por conta da pandemia da Covid-19, o fenômeno conhecido como o novo FOMO (Fear Of Missing Out) mudou o estilo de vida das pessoas. Aline Agustinho, professora do curso de Psicologia do Uniceplac, explica que a síndrome está relacionada ao medo intensificado de perder vivências e oportunidades.

‘‘Algumas pessoas sentem que muitas experiências poderiam ter sido vivenciadas, mas, por conta das restrições sociais, não foi possível aproveitá-las. Então, a sensação de não poder recuperar esses momentos de volta acaba desencadeando o fenômeno’’, esclarece a especialista.

A sensação de ‘‘estar de fora’’ se eleva com as incertezas relacionadas ao fim da pandemia. Com a permanência do isolamento social, o indivíduo com a síndrome tem dificuldades de viver o presente devido ao receio de perder o que está acontecendo ao seu redor, o que gera angústia, estresse e mal humor, sintomas do novo FOMO.

Segundo Aline, a manifestação do fenômeno também está vinculada ao uso das redes sociais. “Somos bombardeados por imagens de sucesso e perfeição: viagens, festas, momentos agradáveis com família, parceiros e amigos. É inevitável não se comparar e ter a impressão de que todos têm uma vida satisfatória, menos você“, explica.

O novo FOMO pode se tornar um obstáculo para a realização das atividades do dia a dia ou até mesmo desencadear transtornos de humor, como a depressão. Nesse caso, é recomendado buscar apoio psicológico e psiquiátrico, se necessário. Em casos menos acentuados, é possível contar com psicoterapia e práticas integrativas como a meditação, por exemplo, com o intuito de reduzir a ansiedade comumente apresentada.

“Focar nas experiências possíveis para o momento presente é um bom caminho para lidar com o FOMO. Diminuir o uso de redes sociais, estabelecer rotinas que incluam momentos prazerosos e de autocuidado podem ajudar a viver o momento, tirando o foco do ‘que está sendo perdido’ para ‘o que está sendo vivido’ recomenda a psicóloga.