#atualidadesuniceplac Isolamento social causa danos cognitivos e afetivos em crianças e adolescentes

 

Médico e psicóloga alertam para efeitos negativos da falta de convivência entre estudantes no ambiente escolar

O período de quarentena e o decorrente ensino a distância impostos aos jovens estudantes têm lhes proporcionado constantes desafios psicológicos. Estresse, ansiedade e depressão são doenças que muitos deles talvez precisem enfrentar neste momento. Nesse sentido, o adequado suporte psicológico pode ser uma ferramenta de muita ajuda.

O rompimento abrupto da rotina causa um desconforto natural tanto em adultos quanto em crianças. As incertezas sobre o futuro acabam refletindo no comportamento das crianças, deixando-as inseguras, irritadas e agitadas. A professora do Uniceplac e psicóloga, Kellen Lima, explica que “o estabelecimento de uma rotina ameniza o impacto do isolamento, mas não substitui a importância do contato social para o desenvolvimento das crianças”.

Para a especialista, o contato social está relacionado também ao ensino de regras de convívio e respeito aos pares, resolução de conflitos, trabalho em grupo e aumento de repertório comunicativo. “Quanto maior o tempo de isolamento, mais o choro, os pedidos para sair e as falas de saudades acabam se tornando uma constante.  Alguns casos vão exigir orientação profissional no manejo parental acerca de sinais e sintomas de depressão, por exemplo”.

Segundo o médico e Ceo do Programa EuSaúde Educação, Ricardo Cabral, “o ambiente escolar é muito mais do que aprender o conteúdo, tem a prática de atividades físicas e a interação social com os colegas”. E acrescenta que durante esse período de suspensão das aulas presenciais é natural uma diminuição da curva de aprendizagem: “é plausível esperar que com menos estímulo haja menor resposta cognitiva. Estudos mostram ainda o aumento da irritabilidade, depressão, dificuldades de sociabilidade e até mesmo mudanças de apetite”

Uma outra preocupação crescente durante o isolamento é o aumento do uso de eletrônicos. “Com os pais em home office, e com as tarefas acumuladas, muitos deles acabam recorrendo ao uso de eletrônicos como forma de propiciar lazer aos filhos. Mas, o uso exagerado desses aparelhos acaba entrando na rotina e ocupando muitas horas do dia das crianças, tornando-as cada vez mais isoladas e irritadas. Os pais acabam preferindo que os filhos tenham acesso a esse tipo de recurso do que ficarem irritados e agitados em casa. Vira um ciclo vicioso”, complementa Kellen.

Os efeitos psicológicos devem ser considerados no momento da volta as aulas, já que parte das crianças e adolescentes estarão fragilizados, sofrendo com estresse ou outros problemas psicológicos. Uma das opções do programa EuSaúde Educação é oferecer aos estudantes que apresentam sintomas agudos um atendimento de telemedicina e telepsicologia. Muitas vezes, a telepsicologia pode ser feita em grupo, para que eles possam conversar, socializar e compartilhar sua situação atual, além de consultas individuais.

Recentemente, a OMS, o Unicef e a Unesco recomendaram aos governos que coloquem a abertura de escolas como prioridade. De acordo com as entidades, não existem evidências suficientes para declarar que a reabertura de escolas seriam as responsáveis pelo agravamento da transmissão da covid-19 em uma comunidade, desde que as medidas de proteção e de saúde fossem adotadas.

As recomendações são parte do novo guia publicado na última segunda-feira,14, pela OMS, Unesco e pela Unicef sobre a retomada das aulas e o papel do sistema de ensino em meio a uma pandemia. Essa é a primeira vez desde maio que a OMS atualiza suas orientações. O manual determina critérios e medidas com base na faixa-etária das crianças.